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Visões do Desterro – Geografias de um Sonhar Impossivel

In ARTE on 16/10/2013 at 18:36

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Visões do Desterro, Geografias de um Sonhar Impossível

É intrínseca parte da acção do homem no mundo a sua ânsia de ir mais além, uma sede permanente de estar noutro lugar, a irresistível vontade de se transcender, de partir a descobrir, de se reinventar e reconstruir em permanência. Pode mesmo dizer-se que não fosse por esta inevitável e constante curiosidade e ambição, estaríamos ainda, e sempre, amarrados a uma condição primária de seres eminentemente naturais. E bem longe dos actuais paradigmas de imersão tecnológica, científica e urbana, que afastaram definitivamente a imensa maioria de nós da natureza, do simples, de uma relação mais horizontal e comedida com a vida e com o mundo.

Ao contrário, o lugar que ocupamos no presente é constantemente relegado e ignorado, em prol das projecções contínuas que vamos fazendo permanentemente. Quais fantoches tristes como escravos, subjugados pelos sonhos e desejos infinitos que os controlam e restringem. Este perigoso mecanismo que nutrimos e nos domina, transforma em desterro o lugar do agora. E apenas o sonho constante de outro mais pleno e novo encontro/descoberta, parece conseguir alimentar essa ideia de plenitude, satisfação, felicidade. E assim vivemos, enjaulados nesse persistente projectar psicológico, ritualizado e vicioso, de uma partida contínua; imaginária e escapista, delirante. Sempre rumo a essa metafórica, falsa, crucial viagem. Eis então, afinal, um mais que triste apanágio do nosso involuntário sonhar: uma redução estruturante, carente, – nascente circular fechada e activa -, do estar vivo.

O próprio Sonho é, portanto, indicador da condição de Desterro. Pois apenas de um lugar de percebida pobreza e aprisionamento, – e independentemente das reais condições em que vivamos -, se torna possivel e mesmo imprescindível a criação de outra realidade concreta, outra paisagem, outro ser, outra vida. E é assim que surge a Viagem: enquanto meio/caminho para alcançar essa plena condição sonhada; através de um também imaginado Encontro com essa condição/essência maior. Este outro estado é no fundo apenas a projecção desejada, numa aparentemente praticável realidade, de outro mundo. Agora, mais de acordo com o que nos é, e será, – para sempre, – apenas em sonhos revelado.

E chegados a esse novo lugar/estado, descobriremos, num misto de fascínio e desencanto, que também ele se nos revela em claro desterro. Pois a faminta qualidade ansiosa e sonhadora que nos é inerente, nunca se suspende, nunca pára, nunca se apazígua.

Assim, e no contexto do Ano Portugal Brasil, a curadoria entendeu desde logo transcender meras razões de natureza histórica e geográfica; assumindo antes uma orientação de natureza poética e difusa, incerta e fantástica, no tratamento desta temática de deslocamento, procura, projecção, desejo. Interessou-nos aqui, – mais do que circunstâncias de ordem da relação entre dois países tão próximos quanto afastados -, esboçar em poética aberta momentos possiveis de uma inescapável condição de insatisfação, desejo, suspensão, encontro, desencanto. A circularidade infinita e obrigatória deste percurso, decorrente da própria natureza humana, é pontuada então por estes quatro passos de um ilimitado caminhar, – circunscrito apenas à própria busca de maior significado e alcance, – que a todos caracteriza: Sonho, Viagem, Encontro, Desterro.

Então, e assim já vagamente identificado este desterro, – enquanto lugar subjectivo e primordialmente interior -, poderemos apenas pretender vislumbrar dele algumas visões prováveis, que vão surgindo aqui bem ao longe: como gotículas ínfimas mal definidas ao cego olhar, e que escorrem, lentas, entre milhões e milhões de outras inventadas mas possíveis, nos sulcos avermelhados e profundos da grossa pele-espelho, que separa apenas um homem solitário, de toda a outra enorme humanidade.

Sonho

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É enquanto fenómeno de alternativa realização, – surgido a partir de um espaço de insatisfação e desencontro, de limitação e incompletude, – que o Sonho se manifesta e se impõe autônomo, embriagante e pleno, num acontecimento total: uma dimensão paralela nascida das inescrutáveis mas fundamentais sementes de um outro desejo, maior, que para sempre nos acompanha. Adormecido, ambicioso, latente, subversivo.

Neste primeiro passo de um circular percurso que nos espera em repetição, esgueiramo-nos em firme abordagem, numa disposição visual e táctil. Descobrimos assim algumas obras que fazem parte possível dessa inicial aventura, – ainda apenas estilhaçada, nestas visões prováveis de um exilio. E cujo insatisfatório e estreito caráter é aqui já bem definido e sublinhado, pela onírica onda que dele nasce.

De um abismo escuro e desconhecido no caminho mais à frente, em que já estamos e nos revemos, na obra de Jorge Molder, (Da Série o Pequeno Mundo); à ironizada elevação conceptual e religiosa do terço profano de Isaque Pinheiro (1/3); do encontro reconfortante e sóbrio do corpo no video Casal de André Cepeda; à comunicação enquanto exercicio platónico e hermético, poético e absurdo, na Soundpiece #3 (Rio de Janeiro) de João Ferro Martins; da espacial dispersão/libertação horizontal do corpo de Devires (Grelha Meio Isométrica) de Nuno Sousa Vieira; à inviabilidade do presente a que se contrapõe uma imagem de presença, em The American Sunset de Rui Calçada Bastos: eis alguns momentos possiveis deste sonhado desfile disforme, aqui revelados. Estas serão assim exemplares manifestações dicotómicas de um encontro impossível e sempre adiado. Entre o ter e o desejar, entre o o corpo e a palavra, entre o aqui e o além, entre o presente e um futuro. Afinal, entre o limite e o ilimitado.

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Se o sonho acontece – imponderável e descontrolado, fruto maior a querer raiz – como inevitável contraponto de resposta a um estado de limitação e carência, (e apesar de estar a este pontualmente amarrado na sua essência), é nesse sonhar que se manifestam as forças e objectivos a prosseguir, os obstáculos a ultrapassar, o mais autêntico espaço a alcançar.

Será então avançando assim, em desequilibrado e onírico movimento, pela esparsa fronteira entre o sonhado e o vivido, o desejado e o concreto, o desconhecido e o factual; que viveremos todas as horas da vida; e cada momento do mundo. Sempre encantados por um vir a ser. Talvez.

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Viagem

O deslocamento faz-se de paisagens breves que sempre mudam, e também interiores, de arrastadas e incompletas despedidas; das cores borradas e confusas de lugar nenhum; da espectativa ansiosa e crua, dolorosa e iludida, do que está por vir e alcançar. Afinal, da passagem enquanto estado de fugidia permanência.

Perdido nessa encruzilhada em movimento, – um parto constante a querer firmar-se, – e ausente de conhecidas referências, o sujeito navega, encravado, entre as peripécias dúbias da memória e as ilusões difusas da esperança. E são estas que dialogam, alto e surdas, numa conversa que cresce sempre, ininteligível, solta, desencaixada. Aqui, muitas vezes, revoltos momentos surgem e se impõem, abrasivos, redutores, estranhos; em disrupção, sem finalidade ou origem definida. O viajante é assim ponto movediço e frágil do encontro entre o que podia ter sido e o que virá, entre o desejado e o nada, entre aquilo que sonha e o que nunca será. E nessa ambígua e perdida deriva avança, sentindo grave a solidão de estar só, bem para além do que jamais sentiu ou esteve.

Convencido da importância irredutível dessa ascendente manobra que é o seu avançar, investe, caminha, adianta; ignorante do que não pode saber. E iludido no seu pequeno sentir, quer transformar-se, por fim, num maior ser. E em concreto, fazer-se.

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Algumas cenas possiveis dessa fragmentada aventura identitária surgem aqui: Nas fotos de André Cepeda da série Ontem, em que para trás ficou o abraço triste e cru da nua despedida, a destruição, o conforto e a ruína, o lugar hermético e azul, casa, do qual apenas cada um sabe o que guarda seu interior; na imersão estética e aquática de Adelina Lopes em Imagem Cheia, afundamento claro noutra dimensão, transparente e comunicante; no deslocamento da referência/fronteira, resignificação angular e estranha de Sousa Vieira em Entre (da série sem soalho); nas imagens de Tatiana Macedo da série Orientalism and Reverse, em que o meio de transporte é um ambiente/sombra intimista a descobrir e habitar, e o exterior um mero reflexo baço e distante; ou na obra de Jorge Molder da série O pequeno mundo, em que um registo fotográfico do sujeito feito ao espelho, o rosto indefinido mergulhado no escuro, parece dizer muito da incerta condição de entre-identidades, que assiste ao deslocamento fundamental de qualquer importante viagem sem regresso previsto.

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Metáfora maior da própria vida, a viagem reúne em explosiva combinação conceptual todos os relativos e subjectivos valores primordiais que sempre achamos pertinentes: o avançar em autodescoberta e crescimento; a enriquecedora dinâmica de encontro e relação com o desconhecido; a criação de instrumentos e recursos, próprios e fundamentais, para uma vida inteira; a liberdade de escolha do destino/natureza do que queremos ser e viver no nosso tempo.

Mas, como já vimos e sabemos, muitos são os ímpetos ilusórios e descabidos que provocam a partida; e mais ainda os desconexos mas bem reais elementos distantes e desencontrados da chegada. E nesse longo percurso, de esperança e desespero feito, espreita já um crucial e feroz erro de estratégia e alvo. A revelar-se, bem lentamente, em orfão estado; muito depois de já dado o mais largo passo.

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Encontro

Digamos agora que o encontro não é uma chegada, antes um ponto de partida para outra (con)vivência, o início de uma nova história em que também nos descobrimos e reconhecemos em relação; uma dicotomia profunda de estranheza e brilho: a acção inaugural de nós no outro, e dele em nós. O recomeço noutro lugar é sempre feito de expectativa falhada e deslumbramento, de feliz encontro de iguais e desilusão; de um aprendizado incerto e difícil, empírico, saído do desbravar (des)iludido de um enorme desconhecido.

O estrangeiro que vai para ficar integra nesse movimento duas oposições fundamentais: o firme desejo de deixar de o ser, a assumida vontade de se transformar em habitante desse lugar escolhido, de alguma forma rejeitando a sua própria origem/natureza/condição. E também a pretenção, fortemente implícita, de encontrar nesse estranho além as possibilidades, caracteristicas e oportunidades que lhe permitam por fim desenvolver-se, crescer, afirmar-se. Sempre em concordância de identificação com esse grande não-conhecido.

Os resultados destas duas motivações disruptivas – rejeição de si próprio/passado/conhecido, e projecção de um outro/futuro/desconhecido – na realidade da sua existência, no porvir, são na prática sempre incertos e imprevisíveis, muitas vezes dolorosos e incontrolavéis. E a consciência clara desse crucial deslocamento é assim, neste inicial momento de um espraiado encontro, pela primeira vez pressentida e manifestada.

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Encontramos então aqui algumas manifestações pontuais da vivência primeira, pragmática e psicológica, com o novo, o diferente: o caminhar de fora para um lugar interior por abrir e descobrir, na imagem de Molder (Da Série Não tem que me contar seja o que for); a planta, representação universal de um espaço por habitar, acompanhada de referências afetivas e distantes, de Julião Sarmento, em 182. Wittgenstein Blue; a porta/passagem/entrada de estrutura distorcida, complicada, deslocada, de Sousa Vieira em Tal como porta; o ténue resquício perdido do som longínquo/memória do mar na instalação de Ferro Martins Soundscape #1 (Rio de Janeiro), o video Episódica #1, do mesmo artista, em que a atracção e a sedução se encontram num convite irresistível e subtil ao encontro/mergulho; e ainda o abismo burocrático e identitário da integração legitimada nesse outro coletivo social/profissional das Reference Letters de Joana Bastos.

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Assim, nas malhas movediças e apertadas do primeiro encontro, entrechocam-se claramente os obstáculos e os objectivos, os corpos sonhados e as ruas desertas, a vontade de união e a parca linguagem, os costumes que somos e o que não entendemos.

Mas nesse momento mais que límpido da vida, – o reinício em chegada, – espreitam-nos já também todos os atos plenos, todas as grandes etapas, todas as emoções e vitórias, os novos e diferentes hábitos, que o futuro bem esconde ainda, em parcimónia.

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Desterro

Sempre o ponto/porto de chegada carrega desafios de novas partidas por encarar; a dura realização pragmática de vontades e projectos; o confronto duradouro e quotidiano entre um objectivo preconcebido e a vivência de facto; o desbravar afirmativo e empírico de outras realidades e conjunturas: cidade, linguagem, função, social, pessoa.

Aqui nasce a redundância surda e absurda que é atributo denominante da vida do homem: chegado onde queria chegar, descobre distante a sombra dúbia e irregular dessa imaginada plenitude, esvoaçante, fugidia e estranha, inexistente; ou quase. Descobre a obrigatoriedade circular e infinita, – e exterior à sua vontade, – desse roteiro/movimento. Vê que na natureza do novo lugar estão inscritos não os momentos que tanto quis e sonhou, mas sim já os genes retorcidos de outros inevitáveis sonhos, as difíceis conquistas que sempre valem pouco, a escala imensa de uma dimensão que tentou em vão reduzir a seu jeito. Sempre estreito no seu imbecil projectar, mais querer, sonhar.

Vê-se agora bem espelhada na exterior realidade a insuficiência e a insatisfação que moram e morarão sempre no seu profundo interior, ser sedento e caprichoso que é e será sempre, irredutível nessa fome delirante e fantasiosa que ele próprio alimenta; construindo imagens de mais; de muito; de pleno. Prisões que depois se condena assim a habitar, imaginadas riquezas ficcionadas que lhe escapam, inexistentes, como as fluidas areias esvoaçantes do mais fundo profundo do mar.

Em compulsão delirante, ilusóriamente visionária, o homem sonhará sempre, eterno refém desse escape de aumentar que o mantém activo e preso na luta por aquilo que jamais alcançará. Pois na sua alucinante capacidade de desejar- transformada em somatizado precisar, – nada nunca lhe será suficiente. Assim, viverá sempre encurralado entre o real que o rodeia e o sonhado que lhe escapa; como um animal pequeno e tonto, incapaz de ficar onde está; de viver o que tem; de ser o que é.

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Algumas visões deste extenso desterro parecem então querer aqui surgir, pontuais momentos de uma incomensurável dimensão transversal: Nas Bandeiras de André Cepeda, filme de um não lugar que é todos, intemporal e desbravado, despido de calor e sentido na sua crueza, desértica e selvagem, de bandeiras sem signo rasgadas ao vento; na pós-modernidade luminosa, impessoal e gélida, do led de Joana Bastos, Pescadinhas de Rabo na Boca, que repete em espiral viciosa as frases “Foreigners must have a job to get a National Insurance Number” e “Foreigners must have a National Insurance Number to get a job”, kafkiano ditado louco e redundante a normatizar, em contraditória pretenção paradoxal, o estrangeirado; na imagem de Jorge Molder da série Não tem que me contar seja o que for, em que um misto de espectativa, impotência e disponibilidade parece definir a chegada a esse lugar, ainda virgem mas já estéril; na Trepadeira nº5 de Mauro Cerqueira, em que partes de uma persiana não oferecem protecção, mas antes criam um espaço de tensão e risco ao serem atravessadas por longos pregos; em Abaixo da Superfície, de Nuno Sousa Vieira, em que um linóleo do atelier do artista é recortado numa referência invertida e murcha ao projeto do artista e arquitecto russo Tatlin, do início do século passado, e nunca realizado, de um monumento soviético à modernidade e à utopia comunista; e ainda na obra de João Ferro Martins, Can you tell wich kind of blue i am thinking of?, em que escutamos o ruído de um rádio desventrado em dessintonia, que alimenta a leitura sonora da imagem de uma fonte que jorra água no meio do campo. Ao idilico cenário campestre é trazido um distorcido sentido sonoro, num casamento infecundo de estranheza e frio.

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Mas tudo isto será sempre apenas vagamente pressentido e percebido, ao habitarmos a vaga ilusão onírica de um etéreo colectivo, inconsciente; e que a todos rodeia e une, firme e abstrato, englobante, em permanente e murmurada energia e relação.

Nesse desterro em que tudo mora e que tudo habita, ensaiamos façanhas de efeito dúbio e beleza estranha, impulsionados e geridos pela força bruta de um estar vivo. Sem outro remédio ou cura que o caminho, esboçamos, inclinados, passos sôfregos pela vida; cambaleantes sonhadores bem acordados. E como meros invólucros, – cheios de um processo lento e ôco que nem sentimos, – acolhemos forças e vontades a nós alheias, influentes correntes que em nós aportam, sequiosas de um porto-abrigo descontente. Pois esmagados na matéria difusa que o tempo traz, encurralados entre o passado que foi e um jamais virá, é periclitante o equilibrio pastoso do que seremos. Talvez assim: como sombras tortas, longas e atordoadas, sempre aquém desse mais que legítimo lugar sonhado. E condenados, ad eternum, a um frustrante sempre agora, um escorrente fio, eterno e fugidio.

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Breve Obituário Crítico, Também Luso

Artistas, como semideuses encarnados das pequenas coisas, inventam, belos e marginais, maravilhosas obras luzidias, em que reflectem, em tons de desafinado spotlight encandescente, os uivos libertários da sua condição de passageiros, cenas obscenas e deslumbrantes da condição de todos, de nenhum, de um qualquer, e agem, sublimes e infinitos para além do tempo do corpo, como se fosse verdade aquilo que cantam, embriagados na lúcida luz da arte, entontecidos num fazer apenas, rasgando, inúteis e siderais, todas as coisas vistas, todos os cantos de côr e luz, algum momento que reste, e em interrompido recomeço finalizado, semeando uma pátria nova azul por sentimento, sonhado, invadem, gritantes, supremos, superiores, o olhar brilhante com um futuro bom aberto, e com a força assim chegada e suficiente, acabam com tudo de vez e para sempre, que não seja um novo rumo a caminhar, em passo e tom novos e diferentes.

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Jorge Emanuel Espinho

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