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Archive for the ‘POESIA’ Category

Dos Momentos Sangues

In POESIA on 20/09/2011 at 20:28

Esculpidos na memória corpo em que te tornas sempre e que és

Levemente cravados, vivos, quase juntos

Minúsculos momentos gigantes que pulsam

Respiram e se nutrem contigo

E de ti sempre

Vampiros pequenos que te alimentam sim

Pois eles também és tu, sorvedouro vivo

Pequeno e rico mundo ambulante,

A filigrana de água que se infiltra assim na vida

Toda, rendilhada, comprimida, inultrapassável e escondida.

Jardim Negro

In POESIA on 04/08/2011 at 16:00

Orquídeas de carne escura que beijas, ébrio

Sedento orgulhoso e perdido

A dor podre na contenção forçada, o castigo

Imposto obrigado encolhido

Pensas vívidos sonhos que forças, querendo

No real esse grosso e belo traço

Fundido

Ficar

In POESIA on 10/06/2011 at 14:32

Porque de cacos de vidros verdes nascem abertas as janelas, todas elas

E das antigas dores surgem cobertas as flores, tuas

Como rosáceas sumarentas no calor das noites

Pássaros caídos no vôo das palavras

Pesadas, vivas e carnudas as palavras, essas

Que transbordam inchadas e ácidas na tua boca

Cravadas de escorrente e vermelho sangue espesso

Quente, a vida lenta e densa e escura a correr sempre

Nem só um bocadinho apenas será o só ficar

Pois um vôo aberto e denso reprime sempre

Sempre

A pouca e estreita coisa de um planar

Só.

O Baile

In POESIA on 27/05/2011 at 03:52

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O desvio rápido em corrida

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Um esgueirar de obstáculo, preciso

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A defesa a implicar minúcia

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Um trajecto em terra de ninguém, assim

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O perigo

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Rapto

In POESIA on 14/04/2011 at 14:49

De colunas tortas se faz templo

Da terra mais suja o labirinto

Entre mares e mares surge a seca

Na mais larga alegria vive o morto

 

Posto que no vermelho do abismo cai o céu

Na carne grande do amor se crava a faca

Se a beleza dura da paixão deixasse

Eternamente a tua visão seria minha

 

Amarradas as asas neste voo parado

Contido o calor na labareda fria

Fechada na mão dura a chave clara

Porta que se abriria um dia abriria…

 

Ode

In POESIA on 23/03/2011 at 17:08

 

 

Mãos carnívoras e o corpo sedento

 

A máquina estranha depois do deserto

 

Carne feita carne ultrapassa o movimento

 

Da boca grita a fala a sede e o processo

 

Elegia

In POESIA on 20/03/2011 at 14:15

A tudo te habituas de mau

E menor assim se torna

E ao bom, que pior parece então,

Mais ainda dele perdes, esbanjas,  desvives.

 

Pulso

In POESIA on 02/03/2011 at 21:44

Tentas perceber o tempo que será

Preciso passar dentro dele e nessa aventura

 

Para lavar de vez as aguçadas quinas

Que pelo corpo todo se foram colando sujas

 

Esquinas tais que a alma aberta estacam

Como o lastro ou a areia a pesar no vento

 

As estrelas a preencher o firmamento, essa

Nossa ponte em que na margem de aquém ficámos

 

Sem sequer vislumbrar, contidos apenas

Querendo intuir mas muito longe desse esboço

 

O início de penetrar na crescente caverna viva

E lutar no destino livre e fazer arte nessa altura

 

Desertos

In POESIA on 22/02/2011 at 13:15

Deitada em esteiras de luzes, baças

Como velhas estrelas da noite, cansadas

Pontinhos pequenos na tua pele amarelada

Fundidos e perdidos nesse belo mapa

Vivo, que se aumenta em movimento

Que se faz e se completa nesse mexer

E se deixa devagar descobrir num percorrer, só

Como as asas das grandes ondas a construir, no alto mar

O oceano e a cantar inventando esse ouvir falso

Delírio como no deserto o amor, alucinante

Das dunas a subir ondulante, puxado pelo sol fervente.

 

 

Rede Escada

In POESIA on 14/02/2011 at 13:15

As marcas da pele

A alma pesada

Esse longo tempo

Inerte, passado

 

O corte no corpo

O espaço de morte

Um baloiço louco

A escada, sem sorte

 

Sobe áspera a larga

E dura colina

Puxa-te mesmo

Em força, sem braço

 

Cume? Alcanças

O olhar cansado

Assim te levantas e vês

Potenciado o teu estado

 

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